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Perdas ou ilusão de pertencimento?

Perder algo ou alguém é uma experiência que provoca desconforto e dor, cuja proporção é bastante variável de acordo com o valor financeiro ou sentimental atribuído ao bem perdido; ou a ligação que se tem com a pessoa que deixa o nosso convívio, seja pelo processo da separação ainda em vida ou pelo que se convenciona chamar de morte (na minha crença a morte inexiste, mas, não é o foco desta reflexão).

O fato é que ainda sentimos muito as nossas perdas.

Esse é o ponto. Quando entendemos que algo nos pertence, não aceitamos a condição de não mais possuir, e isto tira a nossa paz mesmo ainda enquanto possuidores da coisa ou da pessoa.

Assim é que perdemos diariamente aquilo ou aquele (a) que ainda “temos”.

Sobretudo no mundo ocidental essa questão da posse é muito presente; é onde se corre mais; onde se ri menos; onde se “é” superficial.

Os orientais, por sua vez, culturas milenares e profundamente espiritualizadas (naturalmente com exceções), possuem um sentido mais pleno para a existência. Costumamos filosofar sobre espiritualidade sem atrelar a qualquer religião, mas, é certo que as pessoas religiosas estão buscando a espiritualização, algumas porém se iludem e perdem o foco, mas, via de regra quem está inserido em alguma religião está em busca da religação com o divino.

O hinduísmo, que é a religião organizada mais antiga que se conhece, assim como o budismo e tantas outras religiões que surgiram no oriente, prega e estimula os seus fiéis seguidores a conquista do desapego.

De maneira objetiva, desapegar-se é não se sentir dono de nada nem de ninguém.

Difícil tarefa sem sombra de dúvida, especialmente quando se trata de pessoas. O laço sanguíneo é forte empecilho à conquista do desapego, pois, está patente, materialmente pelos códigos genéticos, que pertencemos àquele grupo familiar. E os laços afetivos de amizade e amores? O “DNA emocional” nos une de uma forma que transcende muitas vezes ligações consanguíneas. E estes passam a nos pertencer também ao longo de nossa caminhada terrena.

Os bens materiais, que nos causam bem estar; conforto; prazeres. Como dispensá-los? Deixá-los ir? Perdê-los? Qual o sentido dessas experiências? Qual o modelo que proporciona maior bem estar; constância; equilíbrio; serenidade; paz de espírito? O modelo oriental? Ou o modelo ocidental?

Gurdjieff trabalhou bem esta questão promovendo o encontro destas duas realidades, propondo caminhos para o diálogo saudável entre as diferentes culturas. Da meditação dos mosteiros ao aparente caos repleto de experiências da sociedade capitalista.

Essa é a metáfora de nossos próprios mundos interiores, onde um hemisfério busca a integralidade; a sensibilidade; a comunhão e a paz; e o outro a racionalidade; a subsistência, que se desregrada passa a desejar o supérfluo e causa as extravagâncias que observamos no cotidiano a nossa volta.

 

Ellington Colombi Martins

ESPÍRITO | Realização Integral